quinta-feira, 23 de março de 2017

POEMA VERMELHO


POEMA VERMELHO

Vermelho é o vértice____minadouro
rubro a irrigar as planícies
até a confluência dos seus lábios
no estertor da sua pele ___vermelha/caeté
canibal que devora
o que eu sinto/não minto___sou promessa
que nunca arrefece
mas adoece e nada mais é
que o seu concavo altar___a sua oferenda
no gozo que se faz eterno
vermelha pele sua___em mim.


para Odur





quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

OS TEUS VOOS


OS TEUS VOOS

_____leva-me em teus voos, homem-pássaro
abençoa-me com o teu suor
purifica-me com o sal da tua carne.
Voa-me em teus gozos
plena criatura sou,
ao receber teu falo
feito espada____separando-me de todo
e qualquer medo
renascendo em mim a fêmea-mulher tua.
Homem-pássaro, eleva-me!
Voa-me!

para Odur




imagem: Roberto Ferri

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

ANOITECE

Anoitece

em nós tece a noite
a colisão do gozo e do orgasmo
e  o mar da distância___efervece!
tanto e tudo desfalece
ante o beijo ateu
antes teu, agora meu
que desfaz a vergonha
revela o desejo
adoece o corpo (meu)
na tortura da tua mão
no dorso
no lombo
na crueza da carne
que alumia teu caminho
homem___amor meu.

para Odur




imagem: Roberto Ferri



terça-feira, 15 de novembro de 2016

TAUTOGRAMA LETRA C



Cala, consente conspira, 
cativa
comichão, cheiro, 
carne comendo carne_____calor
consumação
coito!




segunda-feira, 3 de outubro de 2016

URGÊNCIA



Urgência

de todo teu amor
____o meu corpo tem urgência!
Quero a proximidade obscena 
e a nudez dos nossos corpos feito cachoeira
misturando águas
decompondo a luz do teu olhar
dentro do meu
Quero o gozo das tuas carnes
na encantação de ser assim:
tão meu


para Odur

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

SOU


Sou 
altar dos teus sacrifícios
vagina em plena geometria
onde o suor do teu corpo
jorra o esperma da tua verdade
Sou
a pia batismal 
 o livramento dos teus pecados
a renascer-te___ homem
no vértice e na flor
Sou
a oração e a saudade a dor e o prazer
a revigorar o teu pênis na
 oração e na tua infinita presença
para sempre em mim

para Odur




imagem: Jean-Federic M. de Waldeck




segunda-feira, 19 de setembro de 2016

COLHENDO


Colhendo
No meu peito uma paixão.
No meu corpo
fogo
brasa
ardência reutilizável
que chora labaredas pelas minhas pernas
exilando o pudor,
amor sem dor
tesão de amar - trincheira do meu afoito querer.
Que se desfaz
liquefaz,
misteriando a língua dos escribas
em insignificantes outdoors
que me expõe aos teus olhos.
Meu ventre-piracema o teu amor navega
feito peixe elétrico
acendendo ao olhar
rangendo dentes
arqueando as vértebras
prevendo a chuva
que me rasga a pele - quimera das águas!